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  • 'Rosa Mário conta realidade de Campos de Reeducação em Moçambique mostrada em “Virgem Margarida” '

    07 / 04 / 2014

    A moçambicana Rosa Mário, que está em João Pessoa para receber o prêmio de melhor atriz coadjuvante pelo filme “Virgem Margarida”, revelou nesta segunda-feira, 07, que não esperava o prêmio agraciado pelo Festival de Cinema de Países de Língua Portuguesa (Cineport). “Eu não sou atriz. Já estou muito feliz por estar aqui. Não sei, nunca pensei”, justificou. A atriz foi descoberta quando trabalhava numa companhia de dança em Maputo e acabou sendo escolhida para o papel (também de uma dançarina) pelo diretor brasileiro Licínio Azevedo.

    “Não considerava e não considero o meu papel importante o suficiente, ou grandioso suficiente, para ganhar esse prêmio. Não sei dizer, mas fiquei feliz por vir, por saber que recebi esse prêmio, mas realmente, na minha cabeça eu não pensei que fosse receber. É uma surpresa”.

    O filme retrata Moçambique depois da independência, em 1975, quando o governo socialista  resolveu rever os valores em vigor no país e implantou novas leis. “A ideia era deixar de lado tudo aquilo que fosse antigo, que remetesse ao colonialismo. E um dos vários elementos que se queria retirar era a prostituição, o vandalismo, a imoralidade”, explicou a atriz.

    Com esse intuito, foi criada uma operação onde mulheres consideradas de “má vida”, como diz uma das personagens no filme, eram levadas para Campos de Reeducação. O Exército moçambicano reunia as mulheres consideradas prostitutas, para isto bastava que tivessem “aspectos duvidoso”: que não tivessem carteira profissional, que usassem batom, se vestissem com roupas curtas (acima do joelho), ou decotas e resolvessem andar sozinhas à noite, entre outros “aspectos”.

    “O problema é que eram levadas sem nem sequer ter tempo de explicar a verdadeira situação delas, o que realmente acontecia, se eram, se não eram, se acontecia ou não acontecia, se realmente trabalhavam ou não”, ressalta Rosa Mário. Os Campos, segundo a atriz, eram muito longe da cidade, em provinciais mais para o norte e essa mudança acabou destruindo a vida de várias mulheres.

    “É um filme que retrata a vida, a história de algumas dessas mulheres que foram levadas para esses Campos de Reeducação. Não é 100% uma ficção porque trata de coisas que aconteceram, com mulheres que existiram. Os personagens do filme foram mulheres que existiram. Então faz todo o sentido para nós, estar nele, fazer porque existiu, não se pode esquecer”.

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